Controller Jurídico: uma atividade em ascenção

Wyvianne Rech

Muito se tem falado atualmente acerca da crescente necessidade de os escritórios de advocacia e departamentos jurídicos estabelecerem sistemas de informação e controle de processos. Isso para atender uma demanda igualmente crescente e exigente do próprio mercado, relativo à velocidade das informações, à informatização do Poder Judiciário, implantação dos processos eletrônicos e aos diferenciais impostos pelos clientes, diferenciais esses cada vez mais voltados às características organizacionais e gerenciais dos escritórios, além é claro da prestação do serviço técnico específico.

Constata-se, a partir disso, uma verdadeira corrida dos escritórios de advocacia para a implantação desses modelos gerenciais, especialmente o modelo de gestão de informações e controle de processos - denominado nesse nicho de mercado como Controladoria Jurídica. O termo aqui é emprestado da atividade de Controladoria Administrativa-Financeira justamente por adotar os mesmos conceitos e raízes teóricas, referentes à sistematização e concentração das informações e ao controle dos procedimentos, que para a área jurídica está especificamente voltada ao trâmite dos processos judiciais e administrativos.

O fato, porém, de a Controladoria Jurídica estar preponderantemente voltada ao fluxo dos processos jurídico não lhe retira sua função essencial, pelo contrário, através da sistematização das informações e controle dos processos e serviços jurídicos a Controladoria Jurídica fornece uma gama enorme de informações que fundamentam em grande parte a tomada das decisões desses escritórios. Decisões essas relacionadas, por exemplo, à necessidade ou não de contratação de pessoal (pelo cálculo da quantidade e tempo de duração dos processos), à necessidade ou não de setorização de atividades, à revisão de procedimentos de acompanhamento processual, ao faturamento, à contratação e gastos com correspondentes, enfim, à produtividade do escritório.

Informação e controle são, portanto, elementos conceituais imprescindíveis de Controladoria, que subsidiam os atos gerenciais.

Ao perceber a importância desse setor os escritórios de advocacia se deparam com um novo obstáculo que vai além da própria implantação do modelo de gestão e controle das informações: Quem irá coordenar ou gerir a Controladoria Jurídica?

Surge assim uma nova e promissora possibilidade de atuação neste grande leque de opções que é o Direito: a atuação como Controller Jurídico.

Mas para atuar como Controller Jurídico, é suficiente possuir formação e conhecimento jurídico específico? Ou, por outro lado, é suficiente a qualificação em sistematização de informações e controle de procedimentos, sem o conhecimento jurídico? A resposta infelizmente é não para ambas as perguntas.

Então de que forma encontrar esse profissional no mercado? Qual a formação e experiência necessárias para estar à frente de uma Controladoria Jurídica? Que envolve sim compreender e gerir um sistema de informações e controle de processos, mas mais do que isso envolve compreender o trâmite dos processos judiciais, envolve compreender o próprio Direito Processual.

Muitos escritórios, diante da dificuldade de encontrar um Controller Jurídico no mercado, ou pessoas com perfil técnico e comportamental para desempenhar essa atividade, tanto por inexistir qualquer curso de formação específica como também por não haver qualquer disciplina na faculdade que os prepare para desempenhar tal função, estão optando por formar esses profissionais dentro de seus próprios escritórios.

Assim, a identificação do perfil e características comportamentais necessários para o desempenho dessa função, aliado ao desenvolvimento individual voltado à gestão estratégica, bem como à capacitação técnica jurídica e de controladoria têm sido a melhor opção para atender às necessidades de cada escritório.

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